
A noite estava fria mas as estrelas aqueciam-nos por dentro, estava escuro mas claro ao mesmo tempo, era como se o mundo acabasse ali naquele preciso momento. Ouviam-se os cães, os gatos, os carros e aquele vento medonho a passar entre os ramos daquelas árvores secas. A lua está mais vermelha do que alguma vez estará. Parece que me estou a aproximar dele, mas ele foge. Não consigo suportar a dor que sinto em mim, sinto as mãos frias e a tremer não será do frio mas sim do medo, sinto a cara quente mas não é do calor mas sim das lágrimas que caiem dos meus olhos como se não tivessem fim, o pior é que não são de alegria mas sim de tristeza e de insegurança. Arrepio-me a cada palavra que esta caneta escreve, sinto a garganta seca, tento beber mas a água é como lava de um vulcão prestes a explodir. Sinto-o perto mas longe, cada palavra saída dos seus lindos lábios é como as notas de uma música que a orquestra toca. Fazem-me sentir feliz mas triste, talvez por não lhe puder tocar ou apenas por não conseguir sentir o eu perfume juntar-se com o meu e formar um aroma maravilhoso que jamais será criado. A minha pele sente uma brisa que me faz sentir frio por estar a transpirar a cada palavra que me vem a cabeça. Eu não o quero deixar ir mas existe alguma coisa que me bloqueia a cada letra que ele diz. Será o amor que sinto por ele ou o medo de o perder. Esta noite nunca vai ter fim, sinto que sim, jamais a esquecerei, as estrelas juntam-se e formam o seu rosto, sinto a sua boca delicada a encostar-se ao meu ouvido e dizer que não me vai deixar mas olho para o lado e ele não está, há qualquer bicho a pairar no ar talvez seja mais feliz que eu. O meu coração deslocar-se-á quando assistir ao sol nascer porque talvez o pesadelo terá acabado, ainda falta muito e cada vez sinto-o mais longe de mim. Vejo um lobo numa montanha a uivar ao luar, é lindo, aquela luz intensa da lua no seu pêlo faz com que o mundo pare, era isso que eu queria parar o tempo. Mudar de século ou talvez de ano, mudar de mês ou talvez de semana, mudar de dia ou talvez de hora, mudar de minuto ou talvez de segundo, só para sentir o calor da tua pele, para sentir esse camisa amachucada a aproximar-se de mim, ou talvez apenas não dizer que o amo mas sim que está no meu coração até aquele lobo deixar de uivar, já lá vão duas páginas da minha vida escritas em papel fraco num livro insignificante que talvez servirá para alguém que precise. Eu tenho medo não de deixar de respirar, nem medo que me pare o coração, mas sim de morrer antes de dizer o que sinto por ele. A tinta desta caneta é como a minha vida, irá acabar a qualquer momento sem avisar, será de uma maneira silenciosa e calma ou barulhenta e com muita dor. Tenho medo que ela acabe antes de mim. Sinto uma voz na minha cabeça não é dele senão estaria frágil demais para puder sentir qualquer dor. É a voz de um desconhecido mas transmite-me confiança, é a voz que precisava de ouvir neste momento. É como se a minha barriga fosse um oceano cheio de barcos. Esta voz é linda, delicada. Neste momento cada lágrima que desce o meu rosto é por essa pessoa, e agora o lobo que uivava ao luar parece feliz e o seu pêlo brilha mais do que nunca brilhou. O vento não parece medonho e as árvores não são tão secas como pareciam. A lua ficara branca de repente e as estrelas fazem os meus olhos brilhar como se voltasse a ser criança. Ele vai voltar eu sei que sim, sinto-o muito próximo de mim e sei que o pôr-do-sol estará para breve.
Joana Pereira *
11 de Agosto de 2009 01h20m
