
Esta manhã acordei bem, acordei feliz, talvez tenha sonhado contigo mas, o que será esta gota de água a cair do meu rosto? Nunca ninguém mereceu que eu chorasse por sua culpa, tu também não mereces mas, talvez o respeito que sinto, o carinho, e todo o resto que sinto mereça isto e muito mais. Existe qualquer coisa que me prende a ti não será amor com certeza mas, eu não te consigo esquecer. Sinto um enorme impulso incontrolável de te beijar e de te sentir, mas tu não queres o mesmo, tenho medo que me rejeites, por isso, prefiro que penses que sou uma insignificante folha numa árvore, ou uma gota no mar. Assim, posso apenas admirar-te, olhar-te nos olhos sem saberes, tocar-te sem sentires, beijar-te sem dares conta ou até mesmo dizer-te adeus e tu sorrires. Tudo isto apenas para ver os teus lindos olhos. Para sentir o calor das tuas mãos. Para provar os teus doces lábios e ao menos para pensar nem que seja um segundo na minha vida que és só meu.
Não te posso contar por isso implicaria estragar tudo o que construímos até agora, que pode não ser muito, mas para mim significa mais do que qualquer coisa na vida, prefiro fechar-me no meio de quatro paredes sozinha para não ter que te contar isto. Mas via chegar a altura em que me vou sentir fraca, sem vontade para continuar. Vou encontrar um beco sem saída, e aí, nessa altura, vou chamar por ti, na esperança que estás lá a minha espera, mas isso não vai acontecer porque a árvore secou, as folhas caíram, e eu já não estou mais lá e nem regada com o teu amor consigo sobreviver e se te contasse? Não tenho nada a perder. Mas também para ti é indiferente ouvires o que tenho para te dizer porque estás de mão dada. Porque é que não largas a mão? Eu preciso de ti, não percebes? Não vês que o fogo passou o monte e está a aproximar-se das casas? Não, não deites água… não ponhas a mão na ferida para não se ver, porque continuarás a ter dores.
A árvore secou, mas… o mar não. Ainda tenho essa oportunidade. Mas, para ser feliz ou para mostrar o que sinto? Será que se te contar sou feliz? Ou sou feliz se te contar?
Aqui estão duas perguntas compostas por palavras que contem letras do alfabeto com um ponto de interrogação no fim, que nem tu nem eu jamais saberemos responder, porque tu não sabes e eu não te quero contar. Não somos nós que traçamos o nosso destino, ele já está traçado.
E se pelo caminho encontrarmos uma passagem de nível, sentamo-nos, porque ele terá de acabar…
Joana Pereira *
23 De Agosto de 2009 03h14m
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